Espelho Meu, Espelho Meu

Há alguém mais bonito do que eu? Há alguém mais rico do que eu? Há alguém com mais gostos do que eu? Há alguém com mais amigos do que eu? Há alguém com mais seguidores do que eu?


Perdemo-nos na realidade virtual, isso já não é novidade. Não é na realidade virtual que me quero debruçar, é na Nossa realidade. Na realidade que vemos, ouvimos e sentimos que é diferente em cada um de nós.


Vivemos num mundo à nossa imagem e o que é a minha realidade pode não ser (certamente que não é) a sua. Estamos tão focados em nós, na nossa bolha, nas nossas coisas, no nosso espaço, que esquecemos tudo o resto. Á medida que evoluímos tecnologicamente distanciamo-nos dos nossos mais próximos. Se por um lado existe meio mundo a tentar conectar tudo e todos, por outro, existe a outra metade a tentar distrair-nos de tudo e todos... um paradoxo! Compreendemo-nos menos, falamos menos e com o tempo estamo-nos a tornar menos empáticos.


As nossas conexões são feitas virtualmente e pouco esforço fazemos para criar conversas interessantes no consultório ou numa fila enquanto esperamos ser atendidos. Damos mais importância a conexões feitas por fotografia ao invés das que são feitas presencialmente. Aos poucos, vamos perdendo a capacidade de comunicar e evoluímos em reação. Voltamos lentamente a ter comportamentos animais e a desperdiçar as nossas características sapiens.


Temos de entender que é na bolha fora de nós que vamos encontrar felicidade. Não quero com isto dizer que a felicidade está fora de nós, nos outros ou nas coisas, mas seremos mais felizes se nos colocarmos ao serviço do outro e muitas vezes teremos que sair da nossa bolha, da nossa zona de conforto e criar laços, relações e conexões com os outros.


“Empatia é o nosso radar social. As pessoas que não possuem essa sensibilidade estão de fora. Aos níveis mais elevados, a empatia implica compreender as questões e as preocupações que estão por detrás dos sentimentos dos outros”. – Daniel Goleman

Quando nos entendemos bem com os outros tudo melhora. Entendermo-nos com o outro é a base das relações e de sucesso no mundo dos negócios e pessoal.


Temos que ser empáticos! Empatia é uma ação premeditada de nos colocarmos no lugar do outro e entender a perspetiva, as emoções, a realidade do outro.


A ciência diz-nos que, no nosso cérebro, temos a capacidade de espelhar através de neurónios “espelho” que nos faz fazer mímica de outros comportamentos, por exemplo, rir quando o outro ri, bocejar quando o outro boceja, sentir um calafrio quando vemos alguém em vídeo sofrer um acidente.


Em ordem de sermos verdadeiramente empáticos temos que sair de nós e dos nossos pensamentos. Podemos praticar a empatia para melhor nos relacionarmos observando outros, ser ouvinte ativo, dirigindo o nosso cérebro conscientemente para a pessoa que nos fala, entre outras.


Lembre-se que o “Eu” não é o “Seu” comportamento e quando recebe alguma crítica ou feedback referente ao seu trabalho ou à sua prestação, é o “Seu” comportamento que está a ser avaliado e criticado e não você ou o “Eu”. Conseguindo fazer esta distinção coloca-se no grupo de pessoas com uma boa auto estima e uma boa auto consciência.


A incapacidade de criar empatia pode provocar rótulos, isolamento, problemas, inimigos...


LEMBRE-SE, a empatia treina-se, tal como a Inteligência Emocional.



Um Bem Haja!


Luís Barbudo


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